segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Descobrindo novas dobras de existência

Hoje é o primeiro dia do mês de agosto de 2016. Tanta coisa mudou desde que escrevi em janeiro! Hoje estou escrevendo do lugar que venho sonhado por tantos anos, um dia antes de fazer uma viagem pra outro Estado, há alguns dias de uma outra grande novidade e há quase um mês que saí da casa das minhas tias, que cortei finalmente o cordão umbilical.

Bem, ao longo da semana passada havia pensado em escrever como forma de organizar o turbilhão de pensamentos e emoções que vêm me assaltado desde o último dia 9 de julho, o dia em que finalmente nos mudamos para o apartamento que resolvemos alugar. Já me acostumei com o lugar novo, com as novas responsabilidades, novos ares, novas rotinas que se desenharam e se desenharão a partir desse dia, mas ainda me custa um pouco aceitar que, mesmo que tenha sido um sonho que venho cultivado desde muito tempo, por muitos motivos que não mais cabem aqui, pelo menos não por hora, como as coisas, relações e pessoas, ou melhor, como as nossas percepções sobre as coisas, relações e pessoas mudam quando tomamos distâncias, sejam físicas ou emocionais.

Tenho estado tão leve, tão tranquila, tão responsável por mim mesma que ainda não acredito que não conhecia essa sensação dentre tantas que já experienciei na vida. Ao mesmo tempo, tenho pensado muito do que tenho tentado me desprender mais, como por exemplo, a casa antiga, na qual passei toda minha vida, das pessoas que me criaram e que criaram essa necessidade monstra em mim de ir embora, e cá estou. Fui embora mesmo. Tenho tentado me manter presente pelo menos pra minha mãe, apesar de não ir com tanta frequência vê-la. Sinto que de alguma maneira estou sendo egoísta em estar tão bem, ao mesmo tempo que sei e sinto que eu mereço, que todos nós merecemos ser feliz, começar uma vida, construir família, seguir em frente e que não serei nem a primeira e nem a última filha única a sair de casa e casar, etc. Penso muito nela e quando nos falamos por telefone me entristeço, mas faz parte da vida, né? Faz parte! Um dia eu e ela nos acostumaremos.

Não tenho mais insônia e nem crises de ansiedade - tirando a que tive ontem antes de dormir, mas devido à viagem de amanhã, e isso é um milagre!

Aprendi tanto desde 9 de julho que nem imaginava que poderia! E amanhã a essa hora estarei à caminho de João Pessoa, onde irei pela primeira vez, para um congresso, que também participarei pela primeira vez. Estou apreensiva por causa de toda a violência que tem nos alarmado todos os dias, mas também muita, mas muita saudade da minha casinha, meu noivorido que agora é esposo e meu filho canino: meu lar e minha família. Espero que chegue logo dia 7, pra que eu volte e possamos planejar juntos o resto de nossas vidas!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ainda não estou pronta...

Querido blog,

aqui quem fala sou eu, uma menos eu, menos eu da última vez em que postei alguma coisa aqui. Hoje me sinto cansada, mas ao mesmo tempo não. Meu corpo pesa, a cabeça também, e ao mesmo tempo não porque mesmo que seja 3 da manhã e eu realmente esteja cansada - o dia foi tão puxado que você nem imagina - não queria ter de dormir. 

Hoje eu sou esposa, sou mãe -de um cachorrinho chamado Michel -, sou uma amiga de poucos amigos - e agradeço por isso, em decorrência das péssimas companhias que antes me circundavam -, continuo com a mesma inconstância de sempre - ah, isso continua -, aquelas angústias diminuíram e hoje dão lugar à angustias concretas, angústias adultizadas - conta pra pagar, grana pouca, ap não saiu ainda, inflação - , e algumas outras coisas que já não me machucam como antes.

E isso é bom. É bom porque todo dia, nos últimos dias, tenho acordado me sentindo grata, apesar de. São muitos problemas e eu, na maioria das vezes, não sei lidar e geralmente fujo, de alguma forma -aprendi a criar linhas de fuga, nem sempre sadias  -, fujo porque sou covarde demais, ou sensível demais, ou apenas não sei. Eu não sei de muita coisa e prefiro não saber. Minha cabeça e meus olhos não sabem de muita coisa que meu coração sabe, sabe? Não sei explicar, mas a cada dia que passa meu coração sabe das coisas. Ou melhor, esse lado que eu acho que é meio sensitivo, esse lado me assustou um dia desses. Pois é, eu sinto. E porque eu sinto, eu sei. 

E também não sei de muitas coisas, como por exemplo, o que vai ser de mim, o que vai ser de nós. Tenho medo, cada dia mais, mas não mais como antes. E tenho medo de certas coisas com mais intensidade. Eu tenho tanta coisa e perdi muita coisa também, Não estou reclamando, mas refletindo sobre. Perdi pessoas - que não faço questão de trazer de volta pra minha vida! Sorry mas não sou mais trouxa! - perdi coisas, perdi sentimentos, necessidades. E ganhei certezas. Isso que vale, né? Vale sim.

E sabe do que mais? Estava conversando com uma amiga sobre o quanto é tudo muito difícil, o quanto estou cansada e aí lembrei de você - sorry de novo -, que tanto me acolheu como ninguém o fez. Daí, decidi que começaria a escrever sobre alguma coisa que me viesse à cabeça e que não colocaria um título antes de terminar. E aí, agora, escrevendo e pensando sobre isso, ainda não me veio à cabeça. Não! Espera! Ainda não estou pronta!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Here comes the sun


Eu vejo o sol aparecer e a luz do poste apagar: se foi mais uma noite de insônia. Tenho ficado muito deprimida, mesmo que a chegada do sol seja um fenômeno lindo de se vê. E tenho sono também, mas é como se ele nunca estivesse aqui. Sabe, a depressão também cansa o deprimido. É uma loucura só isso tudo, eu acho. Sentir tanta coisa por tão pouco é algo que uma pessoa só não era pra suportar. Um mundo todo de pessoas que simplesmente não se importam enquanto outras se importam tanto por pouco que chegam a sangrar. Não sei, tudo anda muito errado no mundo, se bem que desde sempre é assim. Fico pensando que com o decorrer dos anos, o mundo pede da gente que deixemos muito da gente pra trás, como éramos antes, como éramos. Escrevendo aqui, de vez em quando, sinto o peso do mundo apontando seu dedo inquisitor para mim dizendo; quem você pensa que ainda é pra pensar e escrever e ser assim? A gente, no decorrer dos anos, deve abandonar a simplicidade da elaboração das ideias, das palavras, e mudar nosso jeito de pensar, não é louco isso? Não adianta, eu não me acostumo a ser assim e me recuso a ser grande desse jeito. Eu não, continuo querendo preservar essa breve leveza que de vez em quando me invade, e aí eu preciso vir aqui derramá-la se não ela se vai e vai em vão. Esses momentos devem ser registrados com carinho nos dedos. São quase 5 e meia da manhã, do meu lado ele dorme, do seu lado eu estou vigilante. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Necessidade de ir embora

Desde que eu me entendo por gente não me sinto adaptada à minha família. Até os meus 7 ou 8 anos de idade, meu pai me levava pra todo canto, acho que porque até essa idade eu ainda era muito moleca, não era tão feminina quanto deveria talvez, e aí eu devia suprir uma vontade dele de ter um filho homem. Com o tempo fui desenvolvendo um jeito mais feminino, eu acho...não sei bem, mas deve ser isso, e ai ele perdeu o interesse em mim. Minha mãe sempre foi possessiva, com meu pai e comigo. Até os 15 anos ela era obcecada com uma ideia de que eu não podia ter amizade com meninos, namorar ou conversar com meninos, ao ponto de me seguir algumas vezes e ir no colégio que eu estudava pra armar barraco porque eu acabava fazendo amizade com meninos e eles me ligavam. Claro que ela não queria isso e por isso, nada mais justo, que ela fizesse isso parar. Teve um tempo em que ela me criticava por tudo, apesar de eu nunca ter dado muitos motivos pra ela reclamar. Como era obcecada, minha vida até metade da adolescência era casa-colégio-casa de amigas, e detalhe, o colégio é em frente minha casa, o que é outra história longa, porque nem sempre morei onde moro, em frente o colégio que estudei dos 6 aos 17 anos. O fato é que fui criada pra ficar trancada em casa, pra ser dependente. Até que chegou um dia em que minha mãe ficou muito doente, adquiriu (?) síndrome do pânico e outras doenças neurológicas associadas (creio eu, tendo em vista as crises que ela tinha e tem de vez em quando) e eu me vi tendo de viver de um jeito diferente. Esse período coincidiu com a época em que conheci meu noivo e alguns anos depois entrei na faculdade. Tudo mudou, desde então, inclusive a tal da possessividade. Nunca tive e nem vi nos meus pais amigos, muito menos na minha mãe, apesar de ter tido boas conversas sóbrias com ela, nos poucos momentos conscientemente conscientes (!) dela (falando assim parece que eu faço um retrato diferente dela, mas pensando bem e objetificando isso na escrita, é isso mesmo, só que parece menos familiar olhando por esse ângulo. Às vezes me sinto muito mal pela figura que eu pinto dela, muito embora as pessoas que usam e abusam de remédio tarja preta, como é o caso dela, geralmente agem de uma forma quase inconsciente, de acordo com aquela expressão: agiu sem pensar, ou ainda, não é porque ela quer, e por aí vai. O fato é que muitos anos de remédio tarja preta acabam com a pessoa, como ela costumava ser, apesar de que se torna algo necessário devido aos tratamentos e tal. Vejo isso todos os dias, em como ela foi se transformando no decorrer dos anos, em como ela fica totalmente aérea na maior parte do tempo, em como ela esquece que existe limites nas relações, em como ela desrespeita os limites dos outros...enfim), como quando finalmente eu disse que não era mais virgem, apesar de já ser algo bem óbvio. Houve um tempo em que eu pensei que levaria ela comigo, pra onde eu fosse, pelo simples fato de que ela é minha mãe e é isso que os filhos devem fazer. Mas na real as coisas não são assim, e sabe o porquê? Porque TODO mundo deve ter uma chance ou mais de viver a própria vida, de cair sozinho, de construir seu mundo do seu jeito, de ter suas coisas compradas com seu suor, de ter seu lugar no mundo. Quando eu descobri quem eu sou, do que eu gosto, de como eu vejo as coisas, de como eu gosto de viver minha vida, meus relacionamentos, eu descobri que preciso de espaço. Hoje em dia estamos, eu e meu noivo, esperando há mais de um ano que nosso apartamento seja liberado (na verdade, compramos o ap antes da obra terminar -dinheiro fruto da venda da casa que moramos durante anos, eu e meus pais, outra longa história - e quando estávamos já preparados para dar entrada no financiamento, o banco suspendeu os financiamentos devido a uma documentação que faltava do condomínio. Compramos em janeiro de 2014...) e eu não consigo mais não querer ir embora o quanto antes. Se eu pudesse, já teria ido embora há tempos. Acho que a possibilidade de ir embora, o fato de já ter comprado um monte de coisas pro ap novo (móveis, utensílios de cozinha, artigos de decoração, eletrodomésticos), a convivência que não anda lá essas coisas, a falta de espaço pra guardar as coisas, a falta de privacidade, a falta de um espaço pra trabalhar e estudar tranquilamente....tudo isso vira uma bola de neve gigante e tem me deixado tão mal, tem me adoecido tanto, que todo dia eu acordo sem ânimo, sem prazer nem para fazer as coisas que eu sempre gostei. Por isso, tenho muitas, mas muitas esperanças de que essa mudança de ambiente seja também uma mudança psicológica, mental, emocional, espiritual porque preciso urgentemente disso. Não posso e nem devo me sentir uma pessoa péssima por querer me resgatar.

domingo, 4 de outubro de 2015

Sobre querer mudar as pessoas

Há uns dias decidi que iria escrever diariamente, mas acho que não escrevo há uns dois dias. Fiquei pensando se eu deveria mesmo escrever, se deveria me forçar a fazer uma coisa que eu faço por prazer e tornar isso uma obrigação, porque nos forçar a fazer algo é como ir contra o que você é. Daí passei o dia pensando no que escrever, na verdade, parei pra pensar em alguns momentos no que eu poderia escrever. E ai comecei a ver um filme, um filme que me comove, Amor e outras drogas e pensei no amor, em como é legal ter alguém, em como é ruim não conseguir ficar sozinha quando é preciso, em como é injusto que muita gente não prove dessa sensação de conexão com alguém, e conheço tantas pessoas que queriam tanto sentir essa conexão. E aí fico pensando em como eu não sei como me sentir, não consigo pensar em como estou me sentindo, não consigo não ficar irritada com tudo, mas não estou tão triste assim ou com raiva, e ao mesmo tempo estou e não sei ao certo porquê, e ao mesmo tempo eu sei que se estivesse em outro lugar estaria mais tranquila, mas ao mesmo tempo não queria sair de casa, não queria ver ninguém. Fico pensando em porquê é tão difícil pra todo mundo aceitar as pessoas como elas são, com seus defeitos e pensamentos negativos, sem criticá-las, sem querer mudá-las...ando tão cansada, cansada de mim, cansada de tudo, cansada de estar cansada, cansada de não sentir prazer e ânimo, cansada de me irritar, cansada...e eu só queria parar de fingir que tá tudo bem...

E agora me deu vontade de excluir esse blog...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Por que eu não estou de greve?

Hoje li uma postagem no Facebook sobre o possível fim da greve nas universidades federais. Faço doutorado em Sociologia na UFC e, portanto, estamos em greve desde agosto, foi uma entrada tardia na luta. Depois da entrada dos servidores, entraram os professores e depois os alunos. Ok, sou aluna, mas não entrei em greve. Por que? Primeiro porque minha consciência não me permitiria ficar esse tempo todo, tempo indeterminado diga-se de passagem, de braços cruzados sem fazer nada. Terminada a greve, os prazos não serão alargados, não é mesmo? A desculpa de que "mas houve uma greve longa e eu estava apoiando a causa" não serviria como justificativa, seria mais uma desculpa mesmo. Então, o que me motivou a escrever sobre isso foi o tom da tal postagem sobre o tal fim da greve que é apenas mais um dos vários boatos que rolaram. Era um tom de sarcasmo do tipo: calma, vcs ainda têm bastante tempo pela frente pra frescar, enxer a cara, ficar coçando o saco em casa, porque essa greve não vai acabar tão cedo, mas quando acabar, "teje" avisado que vc não vai ter Natal, nem reveillon, nem aniversário dozamigo, da mãe...ou "seje", enjoy the greve pra não fazer nada, afinal, vc tb está de greve! Bobagem minha, mas me senti meio mal, sabe? Mal porque eu sei que eu poderia estar fazendo mais, lendo mais, aproveitando mais de uma forma produtiva, escrevendo, mas não. Estou lutando todos os dias também, pra ter ânimo de levantar da cama todo dia, de fazer minhas coisas, tentando driblar um sono na hora errada que me assalta todo santo dia, uma insônia que já dura meses que me deixa uma zumbi durante o dia e que não me dá outra escolha além da de ficar mal durante o dia, sem ânimo, sem prazer pra fazer as coisas, pra estudar, coisa que eu sempre gostei. Antes de entrar no doutorado eu li uma matéria do blog do Pós-graduando, muito legal e útil diga-se de passagem, que falava sobre a depressão na pós-graduação. Fiquei me identificando depois de ter lido isso até hoje, mesmo sabendo que essa depressão me acompanha desde os 12 anos.  Bem, como eu vivo dizendo, escrevo pra tentar me curar, ou apenas como uma medida terapêutica, já que não tenho mais um pingo de coragem ou vontade de tomar antidepressivos ou ansiolíticos, pois tenho em casa dois exemplos clássicos de como esses remédios podem matar os neurônios da pessoas, e não quero matar nada dentro e nem fora de mim. Portanto, sigo lutando contra meus monstros, é o que todos nós fazemos todos os dias, afinal.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre não estar sóbria

Sozinha, sentada na cama com o notebook no colo, uma panelinha com doce de leite recém feito e quente e uma garrafa gelada de água. Ouvindo o silêncio da madrugada, misturado ao barulho do ventilador ao som de Young the Giant, uma das bandas mais queridas recém descobertas. Eu olho as caixas amontoadas no quarto, bebo um gole d'água e respiro fundo. Como eu queria voltar a ser criança e fazer tudo de novo, viver tudo de novo, só que diferente, sem os erros.  Coloco uma colher meio cheia de doce de leite quente na boca, saboreio e penso: mas será que as coisas seriam hoje como são sem todos os erros? Nunca saberei. 

Cheguei há mais ou menos uma hora, fui beber umas cervejas, jogar conversa fora. Essa noite dormirei sozinha, nessa cama de solteiro que fica tão grande quando ele não está nela. As coisas definitivamente não são como a gente espera, não são mesmo.Agora toca uma das músicas que mais gosto deles, I got, e ela diz assim: In the night where I live,There's strange force in your kiss oh  All's divine in desire...tudo desejo, na noite. E eu desejo, agora, estar no meu lugar no mundo, que eu já sei onde é, mas esse lugar ainda está inacessível, mas por pouco tempo. E eu penso nisso e dá vontade de chorar, mas não quero chorar porque, por incrível que pareça, não estou triste, estou preocupada com as pendências, coisas do trabalho que estou procrastinando porque simplesmente estou sem ânimo além do fato de que são muitas coisinhas que até preciso anotar pra não esquecer porque minha memória anda péssima, tenho dormido mal e pouco e em horário totalmente errado. Além, é claro, do meu óculos novo que não chegou e estou enxergando mal (fui à oftalmologista à uma semana e soube que minha miopia aumentou, agora tenho 9 graus de miopia e dessa vez solicitei um óculos, tenho sentido necessidade de dar uma pausa nas lentes de contato).

Agora pensei no quanto meus horários estão todos errados e o quanto isso tem me deixado doente (mas isso é coisa pra outra postagem que talvez eu nem escreva porque envolve diretamente algumas pessoas e não quero ter de escrever algo que inevitável e fatalmente envolva outras pessoas além de mim). Poxa, o doce de leite  acabou e ainda estou com vontade de coisa doce. Preciso adoçar minha vida e tenho recorrido ao chocolate com mais frequencia do que deveria. Quando o trabalho não tem te movido tanto quanto deveria e você está desanimada, nada como comer o que gosta. O prazer da comida substitui prazer de outras coisas, sabia? Nunca pensei que diria isso e que constataria, mas é verdade. Comer me deixa feliz, me agrada, me faz sorrir, libera substâncias no meu corpo...meu estômago agradece, eu acho, apesar de ele viver reclamando de dor. 

Gole longo de água e me pergunto agora: porque escrever sobre tudo isso? Talvez porque tudo o que eu queria era ter alguém pra conversar e não me julgar e me aceitar do jeito que eu sou, sem julgar as músicas que me sinto bem ouvindo, sem julgar o jeito que eu gosto de digitar ou sentar ou que meu cabelo esteja todo bagunçado e eu não seja nada sexy nesse pijama velho e rasgado. Quem se importa? Eu me importo. E assim, olho no relógio e vejo que mais uma vez irei dormir no mesmo horário de sempre. Mais uma tentativa furada de dormir mais cedo. E eu não estou sóbria, mas também não estou bêbada. Fim de transmissão.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Changes, changing...


Adoro mudar, adoro mudanças, embora isso tudo possa ser bem assustador. Já tentei mudar muitas vezes esse ano, mas é sempre tempo, como dizia Renato, temos todo o tempo do mundo, ou o tempo que o mundo nos dá, o mundo, essa entidade ambígua; o tempo, essa entidade ambígua. Tenho pensado e falado muito em mudanças. Acho que e uma das palavras que mais tenho falado. Também tenho pensado que a vida não tem mudado tanto (por dentro não como eu gostaria), mas ao mesmo tempo, tem mudado em ritmo até bem acelerado. Deixei de fazer muitas coisas que fazia há pouco tempo atrás, deixei de pensar em muitas coisas que eu pensava com mais frequencia, também. Eu preciso dessa certeza de que as coisas mudarão, ou melhor, de que EU mudarei, porque tudo acontece uma hora ou outra, quando a gente decide mudar pela gente Parece até egoísta isso de mudar por mim, mas é bem assim. Quando a gente dificulta a convivência com as pessoas próximas é pela gente que precisamos mudar, já que se não mudarmos nem que seja o ângulo pelo qual olhamos o mundo, as coisas não andam.  Uma coisa que preciso mudar urgente, aliás, nem tão urgente agora porque já foi pior, é essa sensação de vazio toda vez que a madrugada chega. Bem, não vou exagerar, não é toda vez. Eu até me sinto bem grata por tudo o que eu tenho, apesar dos pesares: tenho meus familiares vivos, tenho um teto, comida, tenho como me locomover, tenho como me comunicar com o mundo, tenho alguém que me ama e que eu sei que pensa em mim com a mesma intensidade ou mais ainda, do que eu penso, tenho afeto, tenho meus livros e existe a música e o cinema e outras coisitas mais que me fazem viajar! O que mais eu posso querer? Daí é que tá... às vezes o que a gente precisa nem é material, palpável, visível, audível... paz de espírito. Isso a gente só consegue se fizer um esforcinho, mudar por você, daí porque isso não é egoísmo. Pois bem, que eu consiga burlar minha ansiedade e angústias não importa o que me aflija, e que todos ao meu redor também alcancem paz de espírito. 

domingo, 27 de setembro de 2015

Sobre necessidades necessárias



Acho que todos nós, uma ou várias vezes na vida sentimos, de uma hora pra outra às vezes, uma necessidade grande de fazer alguma coisa por nós mesmos. Geralmente pensamos mais em tentar fazer algo pelos outros sem pensar que quem precisa de verdade da gente somos nós mesmos, entende? Nessa necessidade de se sentir útil na vida dos outros, sentir uma utilidade no mundo e para o mundo não pensamos que devemos fazer alguma coisa por nós. Às vezes nos esforçamos demais para "dar o mundo" para o outro, para o ser ou seres amados por amor, por afeto, por interesse, seja lá por qual motivo. A gente só percebe que precisa de ajuda quando já é um pouco tarde e nem sempre o outro pode fazer algo pela gente. Nem sempre conversar, desabafar, ficar um tempo junto é o suficiente. E sabe por que? Porque só você pode se ajudar! Como? Lembra quantas vezes você se sentiu frustrada porque aquela pessoa, que precisa de ajuda, não quis "se ajudar" ou não aproveitou sua "boa vontade" em ajudá-la? É o mesmo principio, só que com você, percebe? Todos estamos cheios de problemas, crises financeira, crise emocional, vazios existenciais, muitos estão cheios de tristeza no coração, de caos dentro de si e fingem, fingem que estão bem, e mal param para se enxergar ou não querem mesmo parar para enxergar todo o caos que guardam por dentro. Não adianta fugir do que temos dentro, ok? Pare de fingir, porque a dor ela não vai embora, apenas fica camuflada. 

Aprendi que a gente precisa se deixar vivenciar o luto, seja luto de sentimento, de pessoa, de morte, de vida... precisamos porque a dor ensina, apesar de ferir muito. Ainda estou muito ferida, por tudo que aconteceu, por todas as pedras em que pisei, pedras que joguei...ainda dói. Mas todos seguem suas vidas e eu preciso seguir.  É por isso também que estou escrevendo hoje. Estou escrevendo porque senti necessidade não apenas de escrever, mas de escrever para curar (como sempre, como eu sempre faço), mas de um jeito diferente.  Muitas coisas devem acontecer nos próximos meses, muitas coisas que possivelmente mudarão minha vida para o resto da vida. Se bem que todo dia é dia de mudança pro resto de nossas vidas, da mesma forma como todo dia é dia de começo, é por isso que o sol vem. 

Eu preciso dessas mudanças, preciso me deixar sentir tudo o que tenho sentido, preciso aprender muito com tudo o que sinto demais, com o que sinto de menos, preciso. Eu quero voltar a ser eu mesma antes de tudo isso, mas uma eu mesma diferente, uma eu mesma hoje. 

Esses dias voltei a ouvir música todos os dias e agora sinto necessidade disso todos os dias. Voltei a ouvir algumas das músicas que eu mais ouvia em fases aleatórias da minha vida e senti falta não dos momentos, mas de mim, de como eu era comigo mesma. A música desperta essa sensação de nostalgia de si, e senti um carinho e uma saudade de mim e de fazer algo por mim. Eu finalmente senti um afeto por mim mesma e uma necessidade grande de me ajudar. Ansiedade, depressão, angústia...não quero que eu sinta mais isso, não quero sentir com frequencia mais. Eu mereço mais, eu mereço todo esse afeto e amor que eu tenho dentro de mim voltados para mim também. Sabe quando você tem tanto amor dentro que precisa distribuir? Só que nem todo mundo aceita amor, o que é uma pena. Só que eu vivo de amor, preciso de amor, respiro amor e preciso do meu amor!

É por isso que pensei que preciso criar hábitos bons antes que tudo mude de vez! Preciso limpar a casa, eu mesma, antes de entrar toda a carga de móveis novos, de sentimentos, experiências, sensações. Eu quero viver tudo que tenho direito de viver, eu preciso dessa felicidade, felicidade de gostar de mim e de me querer por perto, não quero mais fugir de mim. Descobri que me encontro toda vez que ouço música e que escrevo. Preciso ser mais leve, preciso escrever e seguir o fluxo que me vem como agora, escrever até por escrever, não importa, o que importa é se derramar.

Uma vez, nunca esqueço disso, recebi um email de alguém que disse que meu blog ajudou essa pessoa a superar uma fase muito difícil da vida dela. Então se escrevo e você que me mandou esse email continua me lendo, você também mudou minha vida, porque se eu ainda penso nesse blog como uma terapia para mim, você também tem sua parcela de responsabilidade!!! E eu agradeço, porque é mais uma força para que eu volte sempre! Então, voltando a ideia dos hábitos bons...

Precisamos sim ajudar a nós mesmos, o que não significa ter pena, ou se privar de algo, mas apenas olhar para dentro. Para algumas pessoas, olhar para dentro é ficar em silêncio, olhar no espelho...para mim é isso: me derramar através da minha escrita e ouvir música. Minha forma de terapia, meu remédio, meu rivotril. E outra coisa, começar a se aceitar, começar a pensar que você não precisa ter vergonha de ser você é um passo bem grande também  Não tenho do que me envergonhar. Preciso lembrar disso.  Preciso lembrar que eu não preciso agradar ninguém, só preciso ser eu mesma, uma pessoa que sabe respeitar o outro. Ser você mesma não significa ofender os outros, embora muitas pessoas se ofendam. Eu não me importo mais. O que verdadeiramente me importa agora é curtir esse momento e juntar muita energia boa e esperança, porque as coisas só dão certo quando a gente prepara o terreno para o bem. 

Bjs e muita energia boa pra todxs!  Pense nisso: se ajude! 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A arte do desapego

*** Ler ouvindo Skye - Not Broken ***

Desapegar é uma arte universal, acho que é possível afirmar isso. Todos nós algum dia de nossas vidas tivemos ou teremos de lidar com desapego. É ruim, dói, é bom, alivia.  É mais uma das infinitas coisas ambivalentes da vida. Desapegar de pessoas, lugares, hábitos, sentimentos... o desapego é uma ciência, dizem. É preciso disciplina, porque às vezes esquecemos de desapegar, ou seja, desapegamos do desapego! E é possível, é possível...impossível parece aceitar certas coisas, como por exemplo, que aquela pessoa por quem a gente já fez tanto, por quem a gente já quis dar o mundo não sente sua falta, ou não demonstra, ou não se importa, ou não retribui ao menos com um afago. Acredite: às vezes o mundo é pouco para algumas pessoas. E aí você se sente pouco, se sente nada, se sente inexistente, como se nada mais fosse se encaixar, como se você mesmo não se encaixasse mais no mundo, quando na verdade você não se encaixa no mundo daquela pessoa, ou ela não cabe mais no seu.  Sentimentos...desapegar dos sentimentos é uma provação, uma provocação também porque quando você acha que eles se foram, eles estão escondidos dentro de você. E ai você se fecha, se abre e se fecha e do nada, não sabe mais como falar disso, só sentir. A gente raramente pensa em desapegar do que faz bem, eu acho, pelo simples fato de que se sente bem. Chega a hora de desapegar quando aquilo te desorienta a ponto de você não se permitir mais ficar bem. Ansiedade, paranóia, impaciência, medo...essas coisas que desconcertam são apenas indícios de que desapegar é preciso. Ou não. Ou não...


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O que as pessoas pensariam de mim?

Numa madrugada dessas, levantei da cama com vontade de escrever. Pensando muito no objeto de pesquisa da minha tese (pra quem não sabe, faço doutorado em Sociologia e pesquiso sobre "autoestima vaginal"), comecei a escrever como se eu não fosse eu, pensando em um texto introdutório, como um preambulo da tese ou de um livro ou alguma coisa que alguma mulher no mundo tivesse pensando aflitivamente. Eis o que saiu:


"Já é madrugada alta e não consigo dormir. Minha cabeça fervilha. Meu corpo está cansado, mas minha mente vagueia por tantos lugares e assuntos que mal consigo identificar. Resolvo ligar o PC, quem sabe me distrair com algo na Internet. Levanto devagar para não acordá-lo. Acabamos de fazer amor e eu não gozei. Não por “culpa” dele ou minha, mas algo me incomoda, meu corpo me incomoda, minha vagina também. Pensando nisso, ligo o PC e no escuro do quarto, apenas a luz da tela ilumina meus pensamentos agora com um foco definido. Mas não sei por onde começar, não sei o que procurar, o que falar, o que perguntar! Também não sei com quem falar sobre algo tão íntimo. Engraçado...costumo postar tantas coisas íntimas no Facebook e isso é tão difícil! Não que eu pense que poderia falar sobre isso no Facebook, jamais! Já que nem consigo pronunciar a palavra “vagina” no cotidiano, até para eu mesma essa é uma palavra obscena! Mas por que será? Às vezes fico me perguntando sobre essas coisas que costumamos fazer ou falar sem saber de onde vem... por que tanto cuidado com uma palavra que representa algo tão comum e que todo mundo sabe que temos entre as pernas? E outra coisa estranha: como uma vagina pode mexer tanto com a cabeça das pessoas? ou apenas o nome “vagina”, ou “buceta” (prefiro vagina, apesar de não gostar de falar nenhum dos dois termos). Para ser sincera, essas duas palavras nem fazem parte do meu vocabulário. Outro fato estranho: muitas mulheres adoram falar essas duas palavras (se bem que vejo as mulheres falando a primeira e os homens a segunda....é estranho também ver homens falando “vagina”, quando eles nem têm a sensibilidade de nomear da forma que é de verdade). Bem, minha vagina (outra coisa estranha: ela é minha, não é? Não é estranho falar “nela” como se fosse alguém ou alguma coisa que me pertence? Não é óbvio que ela é minha já que está em mim? Eu sou minha vagina?) é um incômodo. Ela é grande demais, os pequenos lábios são grandes e os grandes maiores ainda. Se isso já não fosse de entristecer qualquer uma (será que existem mulheres que gostam de suas vaginas desse jeito? Não tem como eu saber, já que nem tenho coragem de pesquisar sobre isso!!! Aliás, nem sei o que pesquisar...), ela não é rosadinha como deveria ser (eu acho que deveria ser, já que sou branca), e sim escura, além de não ser lisa e sim meio franzida. Definitivamente, odeio o que eu vejo, quer dizer, o que eu mal vejo, pois não tenho coragem de olhar para ela. Ela. Minha. Estranha parte de mim que me é estranha porque não quero, ou tenho medo, de conhecê-la. Aí também fico pensando: mas o que mais eu preciso saber dela além de que ela é feia e não me agrada, de que é por ela que saem os bebês, é por ela que todo mês eu sangro feito um animal abatido, é por ela que meu marido entra dentro de mim (não metaforicamente falando, é claro, e não apenas com o pênis)? Na época em que eu estudava, na escola...não havia educação sexual. Aí penso novamente: é possível pensar na vagina como outra coisa além do sexual? Eu pensei nisso agora porque me sinto incomodada com a aparência dela e isso me faz não abrir muito as pernas para o meu marido (coisa que até hoje ele me pergunta o porquê e eu, claro, não tenho coragem de dizer...na verdade, eu digo que ele que é impressão dele e sempre mudo o foco da discussão dissuadindo ele de continuar o assunto...e sempre consigo!), então...não sei, minha vagina é uma incógnita! Mas, pera...se ela é uma incógnita, eu também sou? Nós duas somos a mesma pessoa, não somos? Não sei o que pensar...não costumo pensar tanto sobre isso, na verdade...tenho medo. O que as pessoas pensariam de mim se soubessem que me ocupo desses assuntos?".

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Do beijo abstrato

Há o beijo que beija com a alma, a boca é mero suporte de beijo de carne. Há o beijo que dá "aguá-na boca", que dá a pedida do "quero-mais". Beijar é acessar o outro, acessar a intimidade do eu-outro. Mas beijo bom é aquele que não toca só a carne. A carne é apenas o corpo-fora, mesmo que de carne sejamos feito corpo-dentro. Há muito mais do que a carne, embora haja o abstrato-carne...

Desassossego

Desassossego de mim;
minhas desventuras jogadas ao vento,
prefiro-as assim, me sinto alheia.

Quem é ela?

Quis alcançar o céu, mas mal conseguia subir em uma escada para trocar uma lâmpada queimada. Ela queria poder controlar a si mesma, controlar sua raiva crescente, sua vontade de descontar seus infortúnios em quem mais ama. Não admitia que as pessoas que ela mais gostava a machucasse, não admitia que os outros não a quisessem por perto...por que? O que ela fez de tão mal para que algumas pessoas chegassem a não gostar dela? Depois de um tempo, ela finalmente soube o porquê. Ela sempre achou difícil que alguém a amasse, que alguém a quisesse com força, com intensidade. Ela achava que o amor existia para todos, e que ela um dia encontraria isso. Ela queria apenas se sentir amada e protegida, o tempo todo.

sábado, 11 de julho de 2015

Carta para "qualquer pessoa do mundo"

Haverá
Quem queira lamber as feridas
Pra distrair haverá
Cismo aguardar outro sismo
Presença hecatombe

(Jay Vaquer - Presença Hecatombe)



Essa carta poderia ser endereçada a você, mesmo que você não mereça. Essa poderia ser uma história de amor qualquer, ou de desamor, ou de desespero, ou despedida. Poderia...tudo poderia. Inclusive você poderia não ter bagunçado minha vida de novo. Não que minha vida seja organizada e tranquila, mas você sempre bagunça tudo de um jeito que parece irreparável até eu conseguir me erguer de novo para que, em seguida, você me faça despencar. É, você nunca teve culpa, é o que você diz ou pensa. Na verdade, todo mundo tem culpa e ninguém tem. A culpa é minha se eu penso em você e me importo bem mais do que eu gostaria, se tenho pesadelos praticamente todos os dias com você, se eu crio expectativas sempre. Mas de você ninguém pode esperar nada, ou melhor, eu não posso. Nunca pude. Sabe o que é mais triste? É que eu sei disso tão bem quanto sei que não tenho para onde fugir. Não posso me afastar, não posso me aproximar mais, não posso questionar nada, não posso falar mais nada, também não posso romper com nada. Até bem pouco tempo eu não cogitaria ficar tão calada e tentar me controlar tanto como tenho feito, tudo por sua causa. Nem sei se isso é algo positivo, pois tenho deixado um pouco de ser eu mesma. E tudo o que gostaria era de voltar a ser como eu era antes de te conhecer porque você me estragou. Você estragou a ordem das coisas dentro de mim, você virou de cabeça pra baixo tudo o que eu pensei que pensava sobre a vida, você me fez reinventar quase tudo aquilo que a maioria das pessoas (ao nosso redor) pensa ser convencional. Me perdi e me f*di! É isso. E sabe? Em relação a você nunca me senti dividida pois foi sempre questão de complementariedade: você(s) me completa(m) e assim eu fui e seria feliz, no mundo paralelo que tem lá bem fundo no peito. A gente não pode mentir pra si mesmo...eu fiz isso por muito tempo e tentei. Pensei que conseguiria acostumar com a realidade e tudo corria bem (mesmo que eu esperasse por você todos os dias) até você me estragar de novo. Não quero nada de você e ao mesmo tempo quero tudo. Foi desse jeito tragicômico que eu descobri que o amor pode ser a morte também, morte lenta e silenciosa, como um câncer. Você é meu câncer. E minha vitamina. O céu e o inferno. Você.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Taquicardia

É a primeira vez que escrevo me sentindo assim. Meu corpo está estranho, minha respiração descompassada e sinto dores que nem sei se realmente estou sentindo. Sinto medo, tenho pânico de que seja um prenúncio de algo ruim, muito ruim, de que seja meu fim. Tenho medo...medo de sentir dor, medo de não conseguir respirar, medo de interromper nossos sonhos, de que nossos planos não se concretizem, de deixar dor onde eu ocupo hoje espaço. Por falar no espaço que ocupo, hoje decidi que queria ficar sozinha. Decidi que não queria mais amar, não queria mais que as pessoas agissem comigo pensando no quanto eu sou previsivelmente explosiva ou tenham medo da minha reação a determinadas coisas. Quem decide se eu quero ou não me machucar sou eu. Quem decide o que eu quero ou não ver/ouvir sou eu. Ou pensei que fosse...mas algumas pessoas decidiram por mim que mentir para mim é melhor para mim. Ou para elas mesmas. Só sei que decidi que cansei disso tudo. Cansei de agir de acordo com as pessoas, de ter de fazer/falar como e o que elas querem que eu fale, mesmo que esperem o pior. Parece que as pessoas sempre esperam o pior de mim. E como assim ter medo de mim? CANSEI! CANSEI! CANSEI! Mas o que mais me dá raiva, além de não conseguir ficar sozinha como eu gostaria, de amá-los tão profunda e intensamente como amo, de que no fundo eles estão certos, é que eu sei que é só por hoje. E é só por hoje há anos. 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Conspirações hormônicas, astrológicas e neuróticas

Hoje chove horrores fora e dentro de mim. Custei a levantar e vir escrever, o último texto que escrevi foi há 5 horas. Falei sobre como é difícil ser você e sugeri que de vez em quando é bom ser você sem cortinas, mesmo que em um espaço criado para isso: um blog. Pois bem, hoje é um dia desses em que eu não me preocupo tanto em manter uma fachada, tipo "que merda, que se dane" porque às vezes sufoca. Sou um ser humano, oras! Então, aproveitando que falar sobre sentimentos está na moda por causa daquele filme infantil (que não tem nada de infantil, perceberam? hoje em dia os desenhos não são produzidos para crianças, mas para adultos, ou mini adultos...), hoje sou tristeza e alguns outros sentimentos mais. No post anterior falei sobre estar na tpm, pois bem. E daí né? Lê isso aqui quem quer, então falarei porque esse, como eu disse, é meu espaço de ser quem eu sou e ponto. Pois hoje eu "acordei" (entre aspas mesmo porque só cochilei, como tenho feito nos últimos dias) com um aperto no peito, uma dor do mundo, das pessoas, das lembranças. Antes de ir dormir vasculhei fotos antigas no Facebook e aí tudo veio forte, mas não apenas por isso. Hoje tenho pensado sobre como será quando eu finalmente sair de casa, como minha mãe tem envelhecido, como as pessoas são escrotas, como tudo dói às vezes e como tudo irrita também. E nesses dias, tudo o que eu queria era ter o poder de consertar o mundo, ou pelo menos o meu mundo, o mundo das pessoas íntimas, porque quando as pessoas estão afinadas em pensamentos positivos, mesmo que você esteja meio pra baixo (justamente como estou hoje), parece que as energias positivas das pessoas te embalam, mas não. Eu estou aninhada nos braços da tristeza, da desesperança porque só ouço reclamações e lágrimas e remédios antidepressivos e contra dor no estômago e contra ansiedade e etc etc etc....eu só queria que tudo se consertasse como uma peça de roupa descosturada que a gente pega a linha e remenda e fica como se nada tivesse acontecido antes daquilo ali. E minha dor no estômago não passa, minhas dores que não sei se são psicológicas ou reais, meus pensamentos negativos que às vezes me tomam pela mão, a paciência imensa com quem o Gilmax tem vivenciado minhas crises de pânico, minha falta de estrutura e excesso de falta de coragem e de ânimo. Eu tive que vir escrever tudo isso também porque ele teve de ir trabalhar e chove lá fora, e tudo o que eu queria era ficar na cama de conchinha ouvindo o ronco dele porque me traz segurança, porque hoje eu sinto que tudo pode acabar num estalar de dedos! Medo, muito medo de tudo, da vida, das pessoas, de Deus. Medo limpo e seco e que fede porque ele é perceptível que nem quando a gente tem medo de cachorro e o cachorro sente porque ele percebe que você está com medo, ele sente no feeling ou apenas sente o cheiro porque é que nem ferormônio ou sei lá. Só sei que se medo tivesse realmente um cheiro não seria bom não, viu?! E daí eu paro de escrever e olho pra tudo o que escrevi sem pensar muito, sem reler também porque se eu reler antes de postar eu não posto nada, por que se expor tanto? E por que não escrever sobre? E se alguém estiver muito mal hoje como eu e achar meu blog e ler essa postagem e parar e pensar: eu não estou sozinho(a) e tocar o dia como se tivesse ganho de uma desconhecida uma espada contra o medo? Não canso de repetir aqui sobre uma vez que me mandaram um email agradecendo pelo meu blog. Você aí não sabe como estou me sentindo hoje e talvez nem se importe, mas eu me importo se você veio parar aqui no meu blog e conseguiu chegar até aqui na leitura do texto e tá sentindo como se eu tivesse te vendo e sacando você. Por que você leu até aqui, entende? Alguma coisa temos em comum ou sei lá...mas tudo o que eu queria mesmo era ser útil, consertar. Porque eu acho que eu não tenho conserto.

Da dificuldade que é ser você

Foi difícil me tornar eu mesma. Lembro que quando era mais nova eu queria ser outras pessoas porque não me achava uma pessoa, não me achava interessante (talvez eu nem me pensasse como alguém que pudesse ser interessante) e então, copiava alguns gestos de amigas. Eu tentava ser invisível também e por fazer isso, as pessoas me faziam invisível, minha voz mal era ouvida. Quando eu abria a boca para falar era como que uma revolução, mas parecia que eu nunca tinha nada interessante a dizer. Fui crescendo e me tornando eu aos poucos, mas mesmo assim continuava dependente dos outros para ser eu. Apesar de sempre ter sido diferente das outras crianças/adolescentes próximas, eu tentava ser aceita, tentava agradar, ou seja, continuava nadando com a corrente do jeito da corrente e não do meu jeito, embora eu tivesse consciência de que eu não era eu porque queria que os outros me vissem como os outros também. Eu queria ser interessante mas ser parte de algo, nunca quis chamar atenção, apenas ser aceita. Por muito tempo não fui muito levada à sério justamente porque não era igual. E eu era só, consequentemente. Sei lá...às vezes parece que em outra vida essa menina viveu, e em outra vida conheci essas mesmas pessoas que hoje não estão aqui. Cresci e me tornei eu sangrando. Tomar consciência de si e dos outros sangra, dói e ao mesmo tempo é um processo de cura. Cresci e fui achando bonito perceber que eu tinha minhas opiniões, eu tinha meus princípios e que eu não concordava mais com as tais pessoas próximas. Fico me perguntando como nossos caminhos se distanciaram tanto, ou seria por que nossos caminhos nunca se cruzaram? Não sei...só sei que fui achando bonito ser explosiva de vez em quando, me isolar de vez em quando, me dedicar ao que eu achava certo quase sempre, podar um pouco meu "gênio forte"...é bonito ser você, sabe? E você não deve ter medo de ser você, esse é o ponto. As pessoas certas (elas existem sim!) sempre estarão do seu lado mesmo que você seja uma chata (sou muito chata, mas já fui mais!). E aí o tempo passa, a idade avança, as responsabilidades aparecem cada vez mais pressionando você a ser mais comedida (no sentido de não sair por aí falando tudo o que pensa pra qualquer pessoa, ou ainda, pensando duas vezes ou mais antes de falar alguma coisa ou postar algo em alguma rede social porque alguém pode interpretar mal e/ou você pode perder boas oportunidades de emprego e/ou parcerias acadêmicas e/ou perder o respeito de algumas pessoas, blábláblá), mas há momentos que você só quer ser você mesma! Não é engraçado? Eu acho! Porque só eu sei como foi difícil me tornar o que sou hoje, sabe? Embora algumas pessoas saibam também. E é difícil pra todo mundo. E sabe do que mais? As pessoas são personagens na maior parte do tempo, cara! Mas isso não significa que são fakes, que são falsas, é só que a vida é assim, infelizmente. E infelizmente você precisa parar e contar até 20 e respirar fundo quando escuta ou presencia ou acontece algo que te derruba e que te corrói, porque olha: você é você e o outro é outra pessoa! É óbvio, mas poxa...bem que aquela pessoa poderia deixar de se relacionar com aquela outra porque...bem, só você sabe seus motivos também! Mas veja...temos pressa pra tudo! Tenho muita pressa pra realizar meus sonhos porque temo que a morte chegue antes! Sei que não deveria dizer isso, mas sou assim agora, esta sou eu agora: medrosa, urgente, pensativa mais do que o normal, muitas vezes depressiva, mas sou eu! E fico orgulhosa de ser eu em alguns momentos porque o que eu sou atrai algumas pessoas e elas gostam de mim do jeito que sou hoje. E prezo essas pessoas, muito, mais do que antes. E por ter sangrado tanto não penso duas vezes em me desapegar. Acredito que estamos nessa vida para expiar karmas de outras vidas, mas há feridas que não se  fecham e, sinto muito mesmo, não sou evoluída ainda para perdoar e olhar para trás. E também me orgulho disso, sabe por que? Porque isso também é se amar, coisa que eu não sabia o que era. Não morro de amores por mim (quem morreria?), mas me gosto muito para me deixar à merce de decepções. E aí, no ponto alto da minha tpm e da madrugada, cá estou eu, voltando sempre, sentada em silêncio me observando de perto, como quem olha no olho do coração.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Sobre um poço no meio do caminho

desgosto profundo:
eu chego no fundo do poço
e não é nunca o fundo.

(Fabricio Garcia)

Não sei quem é Fabricio Garcia e não sei nada sobre sua vida ou seus problemas ou seus (des)amores. Tampouco sei se ele falava de si mesmo quando lembrou de desgostos e poços e vida. Não sei...o que sei e o que sinto é que ele tem toda razão quando diz que "não é nunca o fundo". Todos nós chegamos ao "fundo do poço" pelo menos uma vez na vida, ou não? Atire a primeira pedra quem nunca! Fico pensando como deve ser o fundo do poço de Fabricio, que cor teria, que cheiro teria, seria repleto de micro vidas ou totalmente vazio? Não sei...na verdade sei de pouca coisa. Tenho tentado me saber, isso é verdade. Também tenho tentado não me entender pra não ver a entrada do poço de novo. Um poço sempre estará no meio do caminho, sabia? Pois saiba. É isso que é viver. Sei também que existem pessoas que nos estendem a mão quando estamos lá dentro (do poço) sem esperar nada de nós, apenas que possamos levantar e compartilhar o momento, mesmo que seja por um momento só. Tento como Fabrico (nem sei de você, Fabricio) falar de mim sem que pareça que falo de mim, como se eu estivesse falando pro mundo do mundo. Não sei se funciona, porque eu acho que tudo que escrevemos é fatalmente sobre nós mesmos, mesmo que falemos do poço. Somos um poço? Não sei...mas amigos, amigos são seres mágicos. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Quero voltar

Estava lendo o blog de uma pessoa que admiro de longe e lembrei que também tenho um blog. Triste, mas esse espaço já me foi tão querido e tão misturado comigo...lembrei que esqueci que escrever cura, sempre me curou, ou melhor, sempre me ajudou a segurar a barra, as barras. E daí fui lembrando de um monte de coisa que esqueci, e de um monte de coisa que vivi nesse tempo em que não escrevo mais, me veio um monte de coisas que não disse e pensei se quero dizê-las ou escrevê-las, no quanto eu mudei, no quanto minha vida mudou, minha rotina mudou...lembrei que entrei na vida adulta, embora isso seja algo que não dá pra esquecer. Quero voltar porque já não sei mais falar de mim, ou não sei mais pensar sobre mim ou sobre as coisas que realmente, intimamente me interessam. Não sei...ou sei e não quero saber ou lembrar que sei ou apenas ir vivendo como quem vive sem pensar na vida. Entende? É que algumas coisas eu já aprendi a fingir que não vejo, não sinto, não penso, não lembro, não quero...logo eu que sempre fui tão transparente, que não sabia o que era autocontrole quando se tratava dos meus sentimentos. Logo eu! Não sei se isso se chama crescer, mas tudo o que aconteceu de 2013 para cá prepararam o meu dia de hoje e toda a carga positiva e negativa que tenho. Quero voltar porque preciso. Quero voltar porque preciso transbordar tudo o que está preso e pendurado dentro do peito. E é tanta coisa que uma coisa atropela a outra. Quero voltar pra me sentir mais física, humana, ao mesmo tempo que abstraio e torno objetivo o que é subjetivo e vice-versa. Quero voltar porque ainda dói e porque mesmo sabendo que quem está por perto é de verdade na minha vida, ainda dói. Voltarei.,,