quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Por que eu não estou de greve?

Hoje li uma postagem no Facebook sobre o possível fim da greve nas universidades federais. Faço doutorado em Sociologia na UFC e, portanto, estamos em greve desde agosto, foi uma entrada tardia na luta. Depois da entrada dos servidores, entraram os professores e depois os alunos. Ok, sou aluna, mas não entrei em greve. Por que? Primeiro porque minha consciência não me permitiria ficar esse tempo todo, tempo indeterminado diga-se de passagem, de braços cruzados sem fazer nada. Terminada a greve, os prazos não serão alargados, não é mesmo? A desculpa de que "mas houve uma greve longa e eu estava apoiando a causa" não serviria como justificativa, seria mais uma desculpa mesmo. Então, o que me motivou a escrever sobre isso foi o tom da tal postagem sobre o tal fim da greve que é apenas mais um dos vários boatos que rolaram. Era um tom de sarcasmo do tipo: calma, vcs ainda têm bastante tempo pela frente pra frescar, enxer a cara, ficar coçando o saco em casa, porque essa greve não vai acabar tão cedo, mas quando acabar, "teje" avisado que vc não vai ter Natal, nem reveillon, nem aniversário dozamigo, da mãe...ou "seje", enjoy the greve pra não fazer nada, afinal, vc tb está de greve! Bobagem minha, mas me senti meio mal, sabe? Mal porque eu sei que eu poderia estar fazendo mais, lendo mais, aproveitando mais de uma forma produtiva, escrevendo, mas não. Estou lutando todos os dias também, pra ter ânimo de levantar da cama todo dia, de fazer minhas coisas, tentando driblar um sono na hora errada que me assalta todo santo dia, uma insônia que já dura meses que me deixa uma zumbi durante o dia e que não me dá outra escolha além da de ficar mal durante o dia, sem ânimo, sem prazer pra fazer as coisas, pra estudar, coisa que eu sempre gostei. Antes de entrar no doutorado eu li uma matéria do blog do Pós-graduando, muito legal e útil diga-se de passagem, que falava sobre a depressão na pós-graduação. Fiquei me identificando depois de ter lido isso até hoje, mesmo sabendo que essa depressão me acompanha desde os 12 anos.  Bem, como eu vivo dizendo, escrevo pra tentar me curar, ou apenas como uma medida terapêutica, já que não tenho mais um pingo de coragem ou vontade de tomar antidepressivos ou ansiolíticos, pois tenho em casa dois exemplos clássicos de como esses remédios podem matar os neurônios da pessoas, e não quero matar nada dentro e nem fora de mim. Portanto, sigo lutando contra meus monstros, é o que todos nós fazemos todos os dias, afinal.