terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre não estar sóbria

Sozinha, sentada na cama com o notebook no colo, uma panelinha com doce de leite recém feito e quente e uma garrafa gelada de água. Ouvindo o silêncio da madrugada, misturado ao barulho do ventilador ao som de Young the Giant, uma das bandas mais queridas recém descobertas. Eu olho as caixas amontoadas no quarto, bebo um gole d'água e respiro fundo. Como eu queria voltar a ser criança e fazer tudo de novo, viver tudo de novo, só que diferente, sem os erros.  Coloco uma colher meio cheia de doce de leite quente na boca, saboreio e penso: mas será que as coisas seriam hoje como são sem todos os erros? Nunca saberei. 

Cheguei há mais ou menos uma hora, fui beber umas cervejas, jogar conversa fora. Essa noite dormirei sozinha, nessa cama de solteiro que fica tão grande quando ele não está nela. As coisas definitivamente não são como a gente espera, não são mesmo.Agora toca uma das músicas que mais gosto deles, I got, e ela diz assim: In the night where I live,There's strange force in your kiss oh  All's divine in desire...tudo desejo, na noite. E eu desejo, agora, estar no meu lugar no mundo, que eu já sei onde é, mas esse lugar ainda está inacessível, mas por pouco tempo. E eu penso nisso e dá vontade de chorar, mas não quero chorar porque, por incrível que pareça, não estou triste, estou preocupada com as pendências, coisas do trabalho que estou procrastinando porque simplesmente estou sem ânimo além do fato de que são muitas coisinhas que até preciso anotar pra não esquecer porque minha memória anda péssima, tenho dormido mal e pouco e em horário totalmente errado. Além, é claro, do meu óculos novo que não chegou e estou enxergando mal (fui à oftalmologista à uma semana e soube que minha miopia aumentou, agora tenho 9 graus de miopia e dessa vez solicitei um óculos, tenho sentido necessidade de dar uma pausa nas lentes de contato).

Agora pensei no quanto meus horários estão todos errados e o quanto isso tem me deixado doente (mas isso é coisa pra outra postagem que talvez eu nem escreva porque envolve diretamente algumas pessoas e não quero ter de escrever algo que inevitável e fatalmente envolva outras pessoas além de mim). Poxa, o doce de leite  acabou e ainda estou com vontade de coisa doce. Preciso adoçar minha vida e tenho recorrido ao chocolate com mais frequencia do que deveria. Quando o trabalho não tem te movido tanto quanto deveria e você está desanimada, nada como comer o que gosta. O prazer da comida substitui prazer de outras coisas, sabia? Nunca pensei que diria isso e que constataria, mas é verdade. Comer me deixa feliz, me agrada, me faz sorrir, libera substâncias no meu corpo...meu estômago agradece, eu acho, apesar de ele viver reclamando de dor. 

Gole longo de água e me pergunto agora: porque escrever sobre tudo isso? Talvez porque tudo o que eu queria era ter alguém pra conversar e não me julgar e me aceitar do jeito que eu sou, sem julgar as músicas que me sinto bem ouvindo, sem julgar o jeito que eu gosto de digitar ou sentar ou que meu cabelo esteja todo bagunçado e eu não seja nada sexy nesse pijama velho e rasgado. Quem se importa? Eu me importo. E assim, olho no relógio e vejo que mais uma vez irei dormir no mesmo horário de sempre. Mais uma tentativa furada de dormir mais cedo. E eu não estou sóbria, mas também não estou bêbada. Fim de transmissão.