sábado, 11 de julho de 2015

Carta para "qualquer pessoa do mundo"

Haverá
Quem queira lamber as feridas
Pra distrair haverá
Cismo aguardar outro sismo
Presença hecatombe

(Jay Vaquer - Presença Hecatombe)



Essa carta poderia ser endereçada a você, mesmo que você não mereça. Essa poderia ser uma história de amor qualquer, ou de desamor, ou de desespero, ou despedida. Poderia...tudo poderia. Inclusive você poderia não ter bagunçado minha vida de novo. Não que minha vida seja organizada e tranquila, mas você sempre bagunça tudo de um jeito que parece irreparável até eu conseguir me erguer de novo para que, em seguida, você me faça despencar. É, você nunca teve culpa, é o que você diz ou pensa. Na verdade, todo mundo tem culpa e ninguém tem. A culpa é minha se eu penso em você e me importo bem mais do que eu gostaria, se tenho pesadelos praticamente todos os dias com você, se eu crio expectativas sempre. Mas de você ninguém pode esperar nada, ou melhor, eu não posso. Nunca pude. Sabe o que é mais triste? É que eu sei disso tão bem quanto sei que não tenho para onde fugir. Não posso me afastar, não posso me aproximar mais, não posso questionar nada, não posso falar mais nada, também não posso romper com nada. Até bem pouco tempo eu não cogitaria ficar tão calada e tentar me controlar tanto como tenho feito, tudo por sua causa. Nem sei se isso é algo positivo, pois tenho deixado um pouco de ser eu mesma. E tudo o que gostaria era de voltar a ser como eu era antes de te conhecer porque você me estragou. Você estragou a ordem das coisas dentro de mim, você virou de cabeça pra baixo tudo o que eu pensei que pensava sobre a vida, você me fez reinventar quase tudo aquilo que a maioria das pessoas (ao nosso redor) pensa ser convencional. Me perdi e me f*di! É isso. E sabe? Em relação a você nunca me senti dividida pois foi sempre questão de complementariedade: você(s) me completa(m) e assim eu fui e seria feliz, no mundo paralelo que tem lá bem fundo no peito. A gente não pode mentir pra si mesmo...eu fiz isso por muito tempo e tentei. Pensei que conseguiria acostumar com a realidade e tudo corria bem (mesmo que eu esperasse por você todos os dias) até você me estragar de novo. Não quero nada de você e ao mesmo tempo quero tudo. Foi desse jeito tragicômico que eu descobri que o amor pode ser a morte também, morte lenta e silenciosa, como um câncer. Você é meu câncer. E minha vitamina. O céu e o inferno. Você.