quarta-feira, 8 de julho de 2015

Da dificuldade que é ser você

Foi difícil me tornar eu mesma. Lembro que quando era mais nova eu queria ser outras pessoas porque não me achava uma pessoa, não me achava interessante (talvez eu nem me pensasse como alguém que pudesse ser interessante) e então, copiava alguns gestos de amigas. Eu tentava ser invisível também e por fazer isso, as pessoas me faziam invisível, minha voz mal era ouvida. Quando eu abria a boca para falar era como que uma revolução, mas parecia que eu nunca tinha nada interessante a dizer. Fui crescendo e me tornando eu aos poucos, mas mesmo assim continuava dependente dos outros para ser eu. Apesar de sempre ter sido diferente das outras crianças/adolescentes próximas, eu tentava ser aceita, tentava agradar, ou seja, continuava nadando com a corrente do jeito da corrente e não do meu jeito, embora eu tivesse consciência de que eu não era eu porque queria que os outros me vissem como os outros também. Eu queria ser interessante mas ser parte de algo, nunca quis chamar atenção, apenas ser aceita. Por muito tempo não fui muito levada à sério justamente porque não era igual. E eu era só, consequentemente. Sei lá...às vezes parece que em outra vida essa menina viveu, e em outra vida conheci essas mesmas pessoas que hoje não estão aqui. Cresci e me tornei eu sangrando. Tomar consciência de si e dos outros sangra, dói e ao mesmo tempo é um processo de cura. Cresci e fui achando bonito perceber que eu tinha minhas opiniões, eu tinha meus princípios e que eu não concordava mais com as tais pessoas próximas. Fico me perguntando como nossos caminhos se distanciaram tanto, ou seria por que nossos caminhos nunca se cruzaram? Não sei...só sei que fui achando bonito ser explosiva de vez em quando, me isolar de vez em quando, me dedicar ao que eu achava certo quase sempre, podar um pouco meu "gênio forte"...é bonito ser você, sabe? E você não deve ter medo de ser você, esse é o ponto. As pessoas certas (elas existem sim!) sempre estarão do seu lado mesmo que você seja uma chata (sou muito chata, mas já fui mais!). E aí o tempo passa, a idade avança, as responsabilidades aparecem cada vez mais pressionando você a ser mais comedida (no sentido de não sair por aí falando tudo o que pensa pra qualquer pessoa, ou ainda, pensando duas vezes ou mais antes de falar alguma coisa ou postar algo em alguma rede social porque alguém pode interpretar mal e/ou você pode perder boas oportunidades de emprego e/ou parcerias acadêmicas e/ou perder o respeito de algumas pessoas, blábláblá), mas há momentos que você só quer ser você mesma! Não é engraçado? Eu acho! Porque só eu sei como foi difícil me tornar o que sou hoje, sabe? Embora algumas pessoas saibam também. E é difícil pra todo mundo. E sabe do que mais? As pessoas são personagens na maior parte do tempo, cara! Mas isso não significa que são fakes, que são falsas, é só que a vida é assim, infelizmente. E infelizmente você precisa parar e contar até 20 e respirar fundo quando escuta ou presencia ou acontece algo que te derruba e que te corrói, porque olha: você é você e o outro é outra pessoa! É óbvio, mas poxa...bem que aquela pessoa poderia deixar de se relacionar com aquela outra porque...bem, só você sabe seus motivos também! Mas veja...temos pressa pra tudo! Tenho muita pressa pra realizar meus sonhos porque temo que a morte chegue antes! Sei que não deveria dizer isso, mas sou assim agora, esta sou eu agora: medrosa, urgente, pensativa mais do que o normal, muitas vezes depressiva, mas sou eu! E fico orgulhosa de ser eu em alguns momentos porque o que eu sou atrai algumas pessoas e elas gostam de mim do jeito que sou hoje. E prezo essas pessoas, muito, mais do que antes. E por ter sangrado tanto não penso duas vezes em me desapegar. Acredito que estamos nessa vida para expiar karmas de outras vidas, mas há feridas que não se  fecham e, sinto muito mesmo, não sou evoluída ainda para perdoar e olhar para trás. E também me orgulho disso, sabe por que? Porque isso também é se amar, coisa que eu não sabia o que era. Não morro de amores por mim (quem morreria?), mas me gosto muito para me deixar à merce de decepções. E aí, no ponto alto da minha tpm e da madrugada, cá estou eu, voltando sempre, sentada em silêncio me observando de perto, como quem olha no olho do coração.