quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A arte do desapego

*** Ler ouvindo Skye - Not Broken ***

Desapegar é uma arte universal, acho que é possível afirmar isso. Todos nós algum dia de nossas vidas tivemos ou teremos de lidar com desapego. É ruim, dói, é bom, alivia.  É mais uma das infinitas coisas ambivalentes da vida. Desapegar de pessoas, lugares, hábitos, sentimentos... o desapego é uma ciência, dizem. É preciso disciplina, porque às vezes esquecemos de desapegar, ou seja, desapegamos do desapego! E é possível, é possível...impossível parece aceitar certas coisas, como por exemplo, que aquela pessoa por quem a gente já fez tanto, por quem a gente já quis dar o mundo não sente sua falta, ou não demonstra, ou não se importa, ou não retribui ao menos com um afago. Acredite: às vezes o mundo é pouco para algumas pessoas. E aí você se sente pouco, se sente nada, se sente inexistente, como se nada mais fosse se encaixar, como se você mesmo não se encaixasse mais no mundo, quando na verdade você não se encaixa no mundo daquela pessoa, ou ela não cabe mais no seu.  Sentimentos...desapegar dos sentimentos é uma provação, uma provocação também porque quando você acha que eles se foram, eles estão escondidos dentro de você. E ai você se fecha, se abre e se fecha e do nada, não sabe mais como falar disso, só sentir. A gente raramente pensa em desapegar do que faz bem, eu acho, pelo simples fato de que se sente bem. Chega a hora de desapegar quando aquilo te desorienta a ponto de você não se permitir mais ficar bem. Ansiedade, paranóia, impaciência, medo...essas coisas que desconcertam são apenas indícios de que desapegar é preciso. Ou não. Ou não...