sexta-feira, 12 de julho de 2013

Escrevo mais por uma busca esquizofrênica por mim mesma. Não posso me achar nos outros, e nem sei se consigo me achar dentro de mim. Ao mesmo tempo, só eu me tenho. E não me tenho. Acostumar-se às controvérsias da vida é uma coisa muito complicada. A gente vive a vida no dia-a-dia e mal para pra pensar sobre o que é esse viver. Aliás, não no meu caso. Eu acho que penso muito, sempre pensei, e fico me perguntando se se eu pensasse menos, seria menos complicado. E aí lembro que não seria nada, porque viver é complicado. E lembro que, afinal, quem sou eu pra dizer que é complicado, quando estou falando de um lugar muito cômodo, sentada de frente pra o computador, que é meu, numa cadeira relativamente confortável, que é minha, dentro de uma casa que não é minha mas que me guarda da chuva lá fora, com um copo cheio de água do meu lado, com meu celular quem tem acesso à internet onde eu estiver, com o dinheiro da passagem de ônibus de amanhã na mochila. Fico constrangida comigo mesma, de pensar que vivo infortúnios que eu mesmo crio. E ao mesmo tempo não sou a criadora de algo que me vem sem que eu queira. Existe alguém que goste de sofrer? Existe. Mas não é o meu caso. Me irrita, muita coisa tem me irritado, e eu acho ridículo isso. Eu acho ridículo tudo, mas ao mesmo tempo é tudo lindo demais pra ser ridículo, entende? Não entendo muito. Como sempre, mal consigo dizer o que eu quero dizer. Eu só sinto, e sinto tanto que venho aqui tentar escrever. E sai isso, desse jeito. Eu me deixo levar pelas palavras que querem sair de dentro de mim. Acho que tenho engolido palavras demais e elas têm que sair de algum jeito e em algum momento, então eis minhas palavras, que não são minhas, nada aqui é meu.