sábado, 20 de julho de 2013

Sobrevivências

Temos modos de sobrevivência que não são fixas, vão de acordo com o organismo, com a paciência, com o ambiente, com o indivíduo. Eu tenho vários modos de sobrevivência que coexistem dentro de mim, e aqui e acolá se misturam e quando eu devo me posicionar de um lado ou de outro, explodo. BUM! Explosão mesmo. Algumas coisas não entram na minha cabeça e acho que nunca vou conseguir entender. Fico pensando no quanto eu posso perder com isso, mas fico pensando que minha vida não pode depender o tempo todo do que eu posso perder. Uma perda é uma perda, não é? Não importa qual seja, ela nunca pode ser reposta, é uma perda e ponto. Mas a gente sobrevive, não sobrevive? Quando a gente pensa que não pode viver sem uma pessoa, que já tem entranhada a pessoa dentro de si de um jeito que parece que ela é você e você é ela, e que por ocupar tanto tempo da sua vida sendo ela, sendo você com ela, sendo você por ela, ela e ela, e você, parece que tirando ela da sua vida você se tira da sua vida também, e aí você se perde, e nada mais faz sentido, porque é como se você tivesse perdido a alma, como se você tivesse ganho na loteria e perdido a maleta de dinheiro ou o cheque ou a bolsa, ou como se você tivesse em cima de um palco de frente pra uma platéia e se tocasse que tá sem roupa e que as pessoas não estavam te olhando com aquelas caras por admiração, reconhecimento, mas por surpresa, pudor, seja lá o que. É como se, tirando a pessoa da sua vida, seu dia ficasse totalmente vazio, que ele não tivesse mais a completude de antes. Tem coisas que a gente sente que tem que tirar da gente porque parece que é uma saúde doentia. Porque pensar em tirar ela da gente deixa a gente doente, sentindo dor. Eu sinto dor constantemente, e não me importa agora se é física ou não. Hoje, eu não aguento mais. Não quero mais. Os sonhos são só sonhos. Quero acordar e não conhecê-lo mais. Quero viver como eu mesma. Mas não lembro de mim sem ele. Há tempo demais sou nós dois.