sábado, 29 de dezembro de 2012

Eu e a Madrugada

Tenho um caso com a Madrugada. Na verdade, tenho vivido em um menagé interminável com a Madrugada e a Insônia, e elas duas me pedem muitas coisas, às vezes muito mais do que minha cabeça pode suportar! Aprendi que posso suportar muitas coisas, que posso ser mais forte do que eu imagino, mas elas não tem pena de mim, e me pedem para me transcender, como agora. Não consegui dormir, e a Insônia fez questão primeiro de me lembrar de que meu estômago estava vazio há mais ou menos 8 horas. Depois, ela me fez pensar em vários outros efeitos da Madrugada, e pensei mais intensamente no que me aborreceu há algumas horas. Pensei, pensei, e as duas me forçaram a sair da cama e escrever. As duas me lembraram que eu tenho um mundo pulsando dentro de mim, pulsando tão forte que eu preciso deixar sair... sair o que é que eu não sei ao certo. Eu nunca sei ao certo o que vai sair na Madrugada, e queria muito que as duas me explicassem o motivo de eu estar aqui novamente de frente pra o computador que havia me aborrecido também há algumas horas. Acho que as duas poderiam me forçar a ler mais, mas elas me querem escrevendo como se isso fosse me levar a algum lugar. Não sei o que elas duas ganham com isso, e se eu ganho algo, mas fico pensando que elas tentam me dizer alguma coisa através de mim. Me sinto usada, um instrumento apenas, um objeto de suporte e transporte, talvez... algo que não deve se fixar, mas fluir sempre.  Fico tentando entender as mensagens da vida do meu jeito... ninguém explica como devo proceder. E quando explicam, fico querendo encontrar em mim, lá dentro, uma motivação. Fico pensando também no quanto eu não tenho uma vida convencional, nos meus momentos mais intensos que não são nada convencionais, e eu penso no que seria convencional para mim e porquê, e se é de acordo com o que penso que penso que o que sou é não - convencional. Penso que as coisas poderiam ser mais simples, que eu poderia ser mais simples, saber menos que o conhecimento dói na alma, ele não só esclarece e ilumina, ele quebra um pouco a gente por dentro, vai estragando o melhor que temos ( se o temos!)! O melhor de mim eu não saberia dizer porque já me sinto totalmente corrompida pelo mundo de fora: meu mundo de dentro é tão caótico que acho que é por isso que as minhas duas mais fiéis companheiras me trouxeram até aqui.