segunda-feira, 11 de abril de 2011

E repentinamente, eu faço falta

Redescobri a falta que eu faço para mim, e em mim. Minha parte de mim que às vezes se distancia, às vezes teima em querer permanecer desprendida de tudo, desprendida do que me faz ser. A falta que eu construo me limita a minha forma de estar, de ser, de sentir, e embora me seja angustiante, isso faz bem. Eu sei que a falta é o sinal de quem se ausenta e deixa rastros, rastros que são lembrados e sentidos. Eu sei que eu não só sinto, como eu faço sentir: eu me falo sentir, e eu amo. Isso é bom, falar e falar e falar, sabendo o que se sabe, sabendo que o sentir se constrói no momento em que me faço ser, me marco na vida, me concretizo através das palavras que me deixo escapar. As palavras me escapam agora como um sorriso escapa nos lábios diante de algo surpreendente e belo. E que sejam belas as palavras que me escapam, que sejam belos os sorrisos que eu faça surgir, e que sejam atentos os olhos de quem me leia hoje.


Marcelle Silva