segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Tempo belo, tempo maldito.


É. O tempo é belo, como dizem. É verdade quando falam: dê tempo ao tempo. Ele se encarregou de tirar você de mim. Certo. Estou pensando em você agora, mas penso em você sem nome, sem rosto, sem algo que me leve a você. Enquanto essa sensação não me vinha, o tempo me parecia maldito. Maldito mesmo porque você habitava meus pensamentos, insitentemente. Não queria mais sair da minha cabeça. Enquanto isso, meus olhos permaneciam marejados, meu rosto era taciturno, sem ao menos eu saber o porquê. É...eu sabia: você era o motivo da chuva, no meu dia de sol. Mas acabou. O sol brilha novamente, e até te agradeço. Minha contemplação de um crepúsculo só foi possível depois do tempo nublado, e isso devo a você, à sua presença, que hoje me é indesejada. Mas não te quero mal, longe de mim. Só quero bem ao tempo: esse tempo, belo e maldito.


P.S.: Deixo claro que não me inspirei em ninguém para escrever esse texto. Só fui escrevendo...

Marcelle Silva