Desde que eu me entendo por gente não me sinto adaptada à minha família. Até os meus 7 ou 8 anos de idade, meu pai me levava pra todo canto, acho que porque até essa idade eu ainda era muito moleca, não era tão feminina quanto deveria talvez, e aí eu devia suprir uma vontade dele de ter um filho homem. Com o tempo fui desenvolvendo um jeito mais feminino, eu acho...não sei bem, mas deve ser isso, e ai ele perdeu o interesse em mim. Minha mãe sempre foi possessiva, com meu pai e comigo. Até os 15 anos ela era obcecada com uma ideia de que eu não podia ter amizade com meninos, namorar ou conversar com meninos, ao ponto de me seguir algumas vezes e ir no colégio que eu estudava pra armar barraco porque eu acabava fazendo amizade com meninos e eles me ligavam. Claro que ela não queria isso e por isso, nada mais justo, que ela fizesse isso parar. Teve um tempo em que ela me criticava por tudo, apesar de eu nunca ter dado muitos motivos pra ela reclamar. Como era obcecada, minha vida até metade da adolescência era casa-colégio-casa de amigas, e detalhe, o colégio é em frente minha casa, o que é outra história longa, porque nem sempre morei onde moro, em frente o colégio que estudei dos 6 aos 17 anos. O fato é que fui criada pra ficar trancada em casa, pra ser dependente. Até que chegou um dia em que minha mãe ficou muito doente, adquiriu (?) síndrome do pânico e outras doenças neurológicas associadas (creio eu, tendo em vista as crises que ela tinha e tem de vez em quando) e eu me vi tendo de viver de um jeito diferente. Esse período coincidiu com a época em que conheci meu noivo e alguns anos depois entrei na faculdade. Tudo mudou, desde então, inclusive a tal da possessividade. Nunca tive e nem vi nos meus pais amigos, muito menos na minha mãe, apesar de ter tido boas conversas sóbrias com ela, nos poucos momentos conscientemente conscientes (!) dela (falando assim parece que eu faço um retrato diferente dela, mas pensando bem e objetificando isso na escrita, é isso mesmo, só que parece menos familiar olhando por esse ângulo. Às vezes me sinto muito mal pela figura que eu pinto dela, muito embora as pessoas que usam e abusam de remédio tarja preta, como é o caso dela, geralmente agem de uma forma quase inconsciente, de acordo com aquela expressão: agiu sem pensar, ou ainda, não é porque ela quer, e por aí vai. O fato é que muitos anos de remédio tarja preta acabam com a pessoa, como ela costumava ser, apesar de que se torna algo necessário devido aos tratamentos e tal. Vejo isso todos os dias, em como ela foi se transformando no decorrer dos anos, em como ela fica totalmente aérea na maior parte do tempo, em como ela esquece que existe limites nas relações, em como ela desrespeita os limites dos outros...enfim), como quando finalmente eu disse que não era mais virgem, apesar de já ser algo bem óbvio. Houve um tempo em que eu pensei que levaria ela comigo, pra onde eu fosse, pelo simples fato de que ela é minha mãe e é isso que os filhos devem fazer. Mas na real as coisas não são assim, e sabe o porquê? Porque TODO mundo deve ter uma chance ou mais de viver a própria vida, de cair sozinho, de construir seu mundo do seu jeito, de ter suas coisas compradas com seu suor, de ter seu lugar no mundo. Quando eu descobri quem eu sou, do que eu gosto, de como eu vejo as coisas, de como eu gosto de viver minha vida, meus relacionamentos, eu descobri que preciso de espaço. Hoje em dia estamos, eu e meu noivo, esperando há mais de um ano que nosso apartamento seja liberado (na verdade, compramos o ap antes da obra terminar -dinheiro fruto da venda da casa que moramos durante anos, eu e meus pais, outra longa história - e quando estávamos já preparados para dar entrada no financiamento, o banco suspendeu os financiamentos devido a uma documentação que faltava do condomínio. Compramos em janeiro de 2014...) e eu não consigo mais não querer ir embora o quanto antes. Se eu pudesse, já teria ido embora há tempos. Acho que a possibilidade de ir embora, o fato de já ter comprado um monte de coisas pro ap novo (móveis, utensílios de cozinha, artigos de decoração, eletrodomésticos), a convivência que não anda lá essas coisas, a falta de espaço pra guardar as coisas, a falta de privacidade, a falta de um espaço pra trabalhar e estudar tranquilamente....tudo isso vira uma bola de neve gigante e tem me deixado tão mal, tem me adoecido tanto, que todo dia eu acordo sem ânimo, sem prazer nem para fazer as coisas que eu sempre gostei. Por isso, tenho muitas, mas muitas esperanças de que essa mudança de ambiente seja também uma mudança psicológica, mental, emocional, espiritual porque preciso urgentemente disso. Não posso e nem devo me sentir uma pessoa péssima por querer me resgatar.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
domingo, 4 de outubro de 2015
Sobre querer mudar as pessoas
Há uns dias decidi que iria escrever diariamente, mas acho que não escrevo há uns dois dias. Fiquei pensando se eu deveria mesmo escrever, se deveria me forçar a fazer uma coisa que eu faço por prazer e tornar isso uma obrigação, porque nos forçar a fazer algo é como ir contra o que você é. Daí passei o dia pensando no que escrever, na verdade, parei pra pensar em alguns momentos no que eu poderia escrever. E ai comecei a ver um filme, um filme que me comove, Amor e outras drogas e pensei no amor, em como é legal ter alguém, em como é ruim não conseguir ficar sozinha quando é preciso, em como é injusto que muita gente não prove dessa sensação de conexão com alguém, e conheço tantas pessoas que queriam tanto sentir essa conexão. E aí fico pensando em como eu não sei como me sentir, não consigo pensar em como estou me sentindo, não consigo não ficar irritada com tudo, mas não estou tão triste assim ou com raiva, e ao mesmo tempo estou e não sei ao certo porquê, e ao mesmo tempo eu sei que se estivesse em outro lugar estaria mais tranquila, mas ao mesmo tempo não queria sair de casa, não queria ver ninguém. Fico pensando em porquê é tão difícil pra todo mundo aceitar as pessoas como elas são, com seus defeitos e pensamentos negativos, sem criticá-las, sem querer mudá-las...ando tão cansada, cansada de mim, cansada de tudo, cansada de estar cansada, cansada de não sentir prazer e ânimo, cansada de me irritar, cansada...e eu só queria parar de fingir que tá tudo bem...
E agora me deu vontade de excluir esse blog...
E agora me deu vontade de excluir esse blog...
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Por que eu não estou de greve?
Hoje li uma postagem no Facebook sobre o possível fim da greve nas universidades federais. Faço doutorado em Sociologia na UFC e, portanto, estamos em greve desde agosto, foi uma entrada tardia na luta. Depois da entrada dos servidores, entraram os professores e depois os alunos. Ok, sou aluna, mas não entrei em greve. Por que? Primeiro porque minha consciência não me permitiria ficar esse tempo todo, tempo indeterminado diga-se de passagem, de braços cruzados sem fazer nada. Terminada a greve, os prazos não serão alargados, não é mesmo? A desculpa de que "mas houve uma greve longa e eu estava apoiando a causa" não serviria como justificativa, seria mais uma desculpa mesmo. Então, o que me motivou a escrever sobre isso foi o tom da tal postagem sobre o tal fim da greve que é apenas mais um dos vários boatos que rolaram. Era um tom de sarcasmo do tipo: calma, vcs ainda têm bastante tempo pela frente pra frescar, enxer a cara, ficar coçando o saco em casa, porque essa greve não vai acabar tão cedo, mas quando acabar, "teje" avisado que vc não vai ter Natal, nem reveillon, nem aniversário dozamigo, da mãe...ou "seje", enjoy the greve pra não fazer nada, afinal, vc tb está de greve! Bobagem minha, mas me senti meio mal, sabe? Mal porque eu sei que eu poderia estar fazendo mais, lendo mais, aproveitando mais de uma forma produtiva, escrevendo, mas não. Estou lutando todos os dias também, pra ter ânimo de levantar da cama todo dia, de fazer minhas coisas, tentando driblar um sono na hora errada que me assalta todo santo dia, uma insônia que já dura meses que me deixa uma zumbi durante o dia e que não me dá outra escolha além da de ficar mal durante o dia, sem ânimo, sem prazer pra fazer as coisas, pra estudar, coisa que eu sempre gostei. Antes de entrar no doutorado eu li uma matéria do blog do Pós-graduando, muito legal e útil diga-se de passagem, que falava sobre a depressão na pós-graduação. Fiquei me identificando depois de ter lido isso até hoje, mesmo sabendo que essa depressão me acompanha desde os 12 anos. Bem, como eu vivo dizendo, escrevo pra tentar me curar, ou apenas como uma medida terapêutica, já que não tenho mais um pingo de coragem ou vontade de tomar antidepressivos ou ansiolíticos, pois tenho em casa dois exemplos clássicos de como esses remédios podem matar os neurônios da pessoas, e não quero matar nada dentro e nem fora de mim. Portanto, sigo lutando contra meus monstros, é o que todos nós fazemos todos os dias, afinal.
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