terça-feira, 14 de outubro de 2014

Explosão

Isso não é um desabafo. Desabafos são meus companheiros das pontas dos dedos e da língua há meses. Não, isso não é um desabafo, mas uma explosão. Acho que quem gosta de escrever e de pensar (ou não gosta; eu, por exemplo, penso demais não por gostar, mas porque isso já faz parte de mim) e sente demais, sabe como escrever em dias como esses é uma forma de explodir tudo o que se sente, tudo o que se vê por dentro, explodir mesmo, colocar pra fora de forma abrupta e violenta. Minha violência hoje são as palavras. Minha violência hoje são minhas memórias, o que eu fui, o que eu fiz, o que eu senti, o que eu pensei...nunca pensei, na verdade, que mudaria tanto em menos de um ano. E esse blog já presenciou tantas explosões. Eu sou assim, explosiva, mas não mais como antes. Definitivamente, não sou mais a mesma. As pessoas que eu amava, algumas delas, me machucaram profundamente. Também machuquei pessoas que eu amo, e me arrependo todos os segundos da minha existência. Minha existência me dói mais do que antes, porque hoje eu sei que não é só de bondade que as pessoas próximas vivem. Eu senti na pele como um sorriso de falsidade pode queimar. Senti me corroer os órgãos, me contaminando de dor e raiva e rancor e mágoa. Desculpe, mas não sou perfeita. Não poderia ser, já que tive de retornar a esse plano para expiar meus pecados. Desculpe, mas a dor dói e pode doer pelo resto da minha existência. Descobri que sou menos gostável do que eu já sabia que não era, mas também descobri que posso ser amada, sinceramente amada, e é disso que agora não abro mão. Gosto de ser valorizada. Gosto de ser compreendida...é preciso explodir, sempre que preciso, mesmo que seja preciso diariamente.