sábado, 7 de setembro de 2013

Existe um ser perverso brincando comigo

Está difícil entender. Tudo, de um dia para o outro ficou difícil de entender, de suportar. Simplesmente, o ar se tornou mais pesado, tudo está mais pesado, eu estou mais pesada, minha cabeça mais ainda. Minha cabeça dói tanto, lateja. Minha garganta fecha entalada com tantas palavras não ditas, com tantos impulsos que não aconteceram, com tantas incógnitas, com tantas pistas de algo que talvez não me leve a lugar algum. Pistas? Só sei que são marcas. Marcas, bem isso, cicatrizes, muito muito doloridas ficaram no lugar do que antes era eu, hoje já não sei o que restou do que era eu no mês passado. Eu pensei que era menos óbvio do que é agora, mas me enganei esse tempo todo. Brinquei de esconde-esconde comigo mesma esse tempo todo, e agora tenho de aguentar isso calada, tenho de aguentar isso me rasgando por dentro. E no final de tudo isso, se existe um final, eu sairei perdendo novamente, como antes, nas vidas passadas, nessa vida. Nossos assuntos talvez venham de outras vidas, e sinto que não vai ser nessa que vamos nos resolver. Estou me sentindo pequenina e ao mesmo tempo com mais peso do que eu sei que posso suportar. E simplesmente não suporto, eu choro, queimo, falo em desistir... estou tão sozinha! Irei me retirar daqui com o peito totalmente em brasa, o rosto também, as mãos, as pernas, o pescoço...o corpo inteiro doendo, a alma doendo. Tudo me dói. O que eu fiz de errado? Será que Deus é tão perverso para brincar assim nos entrelaçando desse jeito? Por que você passou na minha frente há alguns anos atrás? Será que vai passar rápido como eu acho que passou pra você? Será que se eu gritar todo o grito que está preso na garganta, e eu posso senti-lo queimando e me sufocando e me entalando, essa agonia toda vai embora? Não quero ter de passar por isso outra vez. De mim, o que sobrará? O que sobrou de você?