sábado, 15 de dezembro de 2012

Direito de escrever

Quase sempre não posso ser eu mesma porque existe o Outro. Ser eu é muito perigoso, muito doentio, muito egocentrismo em uma pessoa só. Ser pessoa é um estar no mundo, e o mundo é um conjunto de eus que se auto preenchem mas acham que preenchem os outros. Ou é o contrário ou não é nada disso e estou apenas tentando dizer pra você ou pra mim ou para o Outro que Eu sou Eu e que não há nada que você ou o Outro possam fazer, Eu sou eu mesmo, assim, sendo. Mas eu também te quero Outro e Eu ao mesmo tempo, isso não é louco? Por isso não posso ser tão eu, porque eu me espalho e quero penetrar o Outro. E eu pensando que eu sou eu lembro que o Outro é outro apenas, e que não é um apenas pequeno e simples, é um APENAS com todas as letras garrafais, e isso é perigosíssimo. Isso de viver, de ser é demais para mim! Mas eu não posso ir embora porque Eu sou importante o suficiente pelo menos para meu Outro...tenho um outro? E o Outro tem um outro? O outro do outro... os outros. Todos os outros estão fora de mim, mas eu os sinto aqui, sabe? Sabe como é? Eu sinto que não sou apenas eu, e como não sou só eu, quero me espalhar e por me sentir várias, uma mistura, acabo esquecendo que há o Outro. Não sei se estou sendo clara mas também não sei se a clareza é o que eu busco ou apenas abstração, uma linha de pensamento na qual só cabe Eu. Quero me espalhar assim porque eu tenho o direito de escrever e de dizer o que eu quero escrevendo, embora isso seja uma forma ridícula de me enganar. Não posso dizer e escrever o que eu quero por causa do Outro e então volto ao problema inicial: quase sempre não posso ser eu mesma porque existe o Outro.