quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Eu me perdi


Medo... pode ser isso. Mas eu simplesmente queria ao menos conseguir gritar muito, até que eu sentisse minha garganta se abrir, mas que ao invés de sangue, jorrasse todas as tristezas, todas as angústias, todo o mal, todo o temperamentalismo, tudo que eu sei que não me faria falta alguma. Cedo... cedo para que eu ache que me conheço, que conheço algo da vida, mas eu conheço dores, eu conheço o que uma depressão pode causar, como uma frase de efeito pode explodir com o coração de alguém. E eu não queria ser uma arma, mas eu me uso para ferir. Eu não queria, quanto eu já chorei, já falei, já tentei deixar claro que eu não queria. Mas eu não tenho opção, porque as opções que eu acho que tenho eu não sei agarrar. Não a certa, se houver. Se houver... Eu recuperaria essa ponte que me une a alguma coisa que eu preciso, mas parece que ela se quebra, e eu ajudo a quebrar. Eu não me dou a mão, eu me nego ajuda, e faço mal não só a mim. Eu sei, eu sei que isso é péssimo... me ajuda então? Porque eu me perdi. 

Marcelle Silva