terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Meus gostos

Não gosto de certas coisas, e nem tenho obrigações de sair contando por ai o que são ou o que não são. Medidas de segurança, eu sei... algumas vezes são informações cruciais nas interações sociais. Falando com minha mentalidade de cientista social: metodicamente falando, sou mais metódica do que eu gostaria. Isso não é ruim, e o percebi faz pouco tempo. Descobri que é isso mesmo, aprendi a sistematizar o que eu quero e o que eu espero das minhas interações; se algo sai exatamente como eu deixaria sair há uns 5 anos atrás, me perco em tentativas de (re)construir meu eu, da vida cotidiana (meus caros colegas cientistas sociais ou da área de humanas sabem do que eu falo!)... não quero entrar em choque com minhas afirmações, embora isso seja mais comum do que eu gostaria, mas sou assim: há coisas que gosto, outras que simplesmente dispenso. Metodicamente falando, porque isso acaba viciando, sou mais simples do que se imagina; é só questão de sentir, de ler nas entrelinhas. Já diria Clarice, e quase sempre faço dela as minhas palavras: "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.". Sou tão fácil de conviver, tão simples de confiar, e olhando de perto, sou até menos feia."Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre." Clariceando, poderia escrever um tratado sobre como conviver com meus gostos, mal-gostos, e desgostos...porque os tenho todos. Enfim. Não sou uma pessoa má, se não sei dizer "não", sou? Acho que não, desde que eu não use das minhas palavras como se fossem pequenas lâminas, porque sei exatamente como elas entram na nossa pele, como elas nos deixam marcados. Falar dos meus gostos é fazer um pouco de hora pra responder, pois é questão de momento, de situação: se quero, é agora. Se não deu certo? Tudo bem, tentar de novo ou deixar pra lá. Se não quero, deixo de lado. É simples, mas complexo. Mas me dedicar a me ler por dentro tem me tirado do sério.

Marcelle Silva