segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Talvez eu seja...

... O sonho de mim mesma.
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina.

Que a bem da vida
A carne se fez sombra.

Talvez eu seja tu mesmo
Tua soberba e afronta.
E o retrato
De muitas inalcançáveis
Coisas mortas.


Talvez não seja.
E ínfima, tangente
Aspire indefinida
Um infinito de sonhos
E de vidas.
      Hilda Hilst


Ou sendo, mais do que eu possa alcançar, me movo no movimento das insconstâncias, procurando ser o mais de mim que eu possa conseguir ser.