terça-feira, 5 de outubro de 2010

Coração perdido

O meu coração anda triste

Lento se arrastando pelos cantos
Como uma criança desapontada
Que descobre que a infância não tem assim tantos encantos
O meu coração anda amargo
Chato, emburrado
Pulsa porque tem que pulsar
Não pula porque não pode pular
O meu coração anda miserável
Na rua, sujo, negligenciado
Implora por migalhas de esperança
Enquanto pouco canta, enquanto pouco dança
E chora
E chove
E não brota
O meu coração bota um escudo na frente
O meu coração anda descrente
Se torce
Se contorce
Se vira pelo avesso
Se lamenta pelo desprezo
Não diz
Se contradiz
O meu coração não se suicidou por um triz!
Não sabe mais o que é certo
Não sabe mais escrever versos
Se sente apenas mais uma estrela nesse tão grande universo
De um brilho vazio
O meu coração anda vazio
Digo, cheio de qualquer coisa ruim
O meu coração anda assim:
Como uma pena no meio de um tornado
É uma pena, mas o meu coração anda transtornado
Não vê
Não crê
Não quer viver
E como último ato
O meu coração lança desesperados desabafos
Aos seus pés
Sentindo uma dor pungente, latente
Sem compreensão:
O meu coração
Não sabe mais
Ser coração