sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O terreno do não-dito

O não-dito é areia movediça. É o que ficou na garganta preso, o que ficou nas entrelinhas, o que não foi dito porque revelação (ou seria apens uma constatação?) que agride a natureza do que seria dito. Há coisas que nem deveriam ser geradas para não ficarem mofando no terreno do não-dito, pois há coisas que não conseguem sair desse lugar. O não-dito fere, salva,, derruba, levanta, afunda, arranha, enrijece, amolece. O não-dito é um lugar pra onde as ilusões migram, lá elas constroem morada. É um refúgio do que não deveria ser, do que não tem razão de ser, daquilo que é não-dito por quem o gera. O não-dito é uma oração mal feita, um pecado, uma blasfêmia por não ter força de ser dito. Pecado construir esse lugar onde habitam coisas não-ditas...O não-dito é fácil de ser identificado (quanta ironia! Ele não é invisível!) se camufla nos sorrisos quando perto de alguém, no brilho do olhar, nas palavras que ficam perdidas no caminho do estômago para a boca, que ficam penduradas na ponta da língua. São um quase eterno e angustiante.