quarta-feira, 31 de agosto de 2011

É tudo culpa do Freud

A civilização vivendo num mal-estar, e eu também, diga-se de passagem. Estou com aquela sensação leve e sutil, porém amarga, de improdutividade. Pura e simples sensação, que me corrói lentamente. E hoje alguém me falou sobre o quanto é importante a gente nutrir angústias no peito, porque só naquele momento de depressão, de solidão e de silencio na madrugada, que a gente se lembra de pensar que viver é crescer, mesmo que a dor nos doa mais do que antes; mesmo que o vento venha rasteiro e quente. Já dizia Clarice que a gente tem de aprender a viver apesar de. Porque apesar de eu não saber o que eu quero pensar, eu sei. Eu sei que eu, apesar de ser eu, posso me deparar com um não-eu. Não estou tentando chegar a lugar nenhum com essa reflexão, apenas me encontrar comigo mesma, sentar, e quem sabe, tomar um cafezinho porque a noite pode ser longa. Apesar de.

c Marcelle Silva b